Ricardo Haag, sócio da Wide./Divulgação

Chegar ao topo da carreira sempre foi muito mais difícil para elas do que para eles. Mas, felizmente, muitas iniciativas a favor da equidade de gêneros já começam a surtir efeito. Isso é o que comprova uma pesquisa conduzida pela Wide, empresa de recrutamento e seleção de alta gerência, que ouviu 600 executivos em posição de liderança da área financeira entre homens e mulheres nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.

O estudo mostra que a predominância masculina ainda é grande. No Sul, 78% das vagas de alta hierarquia são ocupadas por homens, seguido por 74% em São Paulo. A boa notícia é que a demanda por mulheres nos cargos de liderança vem aumentando. De todas as vagas para o Rio Grande do Sul recrutadas pela Wide em 2021, 20% eram focadas em mulheres. Em 2022, esse número saltou para 25% Esse ano, essas vagas já representam 30%.

Historicamente, o mercado sulista é conservador e fortemente marcado por empresas familiares. Em grande parte das companhias, a diversidade ainda é um tema recente – mas, cada vez mais demandado. “Essas empresas estão começando a enxergar a importância de incorporar essa pauta para elevar o valor do negócio e fortalecer sua estrutura para impulsionar o crescimento. Tanto que mais de 50% das empresas que atendemos no estado já se atentaram para a necessidade de equilibrar os gêneros nos cargos de liderança”, afirma Ricardo Haag, sócio da Wide.

Motivos para isso, não faltam. Um relatório divulgado pela Moody’s Analytics constata que a redução da desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho pode impulsionar a economia global em, aproximadamente, US$ 7 trilhões, ou seja, R$ 36,4 trilhões. O cálculo foi baseado no aumento salarial que mulheres entre 25 e 64 anos deveriam receber para que seus ganhos fossem equivalentes ao de colegas homens da mesma faixa etária. No Brasil, segundo dados do IBGE, uma mulher ganha 22% menos que um homem que ocupa a mesma função.

Apesar de ainda vermos uma diferença marcante, mudanças importantes já começaram a ganhar força, principalmente no Sul, onde a desigualdade é maior. A WCFO, grupo de integração de executivas mulheres de finanças, é uma das maiores iniciativas na região dedicada a criar um ecossistema voluntariado e de mentoria fornecido por profissionais experientes para executivas mais jovens. Fundada em 2020, seu objetivo é fortalecer a participação feminina na área financeira no país, a partir de uma troca de experiências ricas entre todas as envolvidas.

Com participação gratuita, o aprendizado contínuo entre mulheres das mais diferentes idades é uma das maiores conquistas da iniciativa. “É muito comum enfrentarmos situações de desconforto e repressão neste ramo. Por isso, nossa missão é fornecer a maior rede de apoio possível à essas profissionais, compartilhando experiências e conselhos de como agir em momentos típicos deste segmento ainda fortemente masculino”, explica Marcia Jardim, integrante do projeto.

Hoje, a ação possui 70 mulheres participantes que se reúnem principalmente de forma online para contribuir cada vez mais com a ascensão dessas profissionais em suas carreiras. Empoderá-las para que sejam resilientes nessa trajetória, que se imponham frente às adversidades e que estejam preparadas para conquistar todas as oportunidades que merecem é o objetivo principal.

Se tornar uma líder nas empresas não é uma missão fácil, muito menos em setores que ainda apresentam uma grande predominância de homens. Felizmente, este cenário já começa a se redesenhar a favor desta mudança. “Queremos chegar em um momento em que o discurso da diversidade seja completamente natural, e não uma necessidade de ser reforçada. Este é um convite para ampliarmos essa visão de mercado, criando cada vez mais movimentos de desenvolvimento para que essas profissionais conquistem seu merecido lugar nas empresas”, finaliza Haag.