Estamos no mês do Movimento Janeiro Branco, campanha voltada para a promoção de uma cultura da saúde mental com ações na sociedade e dentro das organizações para a promoção de relações de trabalho honestas e saudáveis.

E, justamente, o tema da campanha deste ano, “A Vida pede Equilíbrio!” representa também uma preocupação dos colaboradores, que buscam cada vez mais, conciliar a vida pessoal com a profissional, tendo uma melhor qualidade de vida e bem-estar.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), um indivíduo só tem saúde mental quando ele consegue perceber suas próprias habilidades e consegue lidar com os estresses cotidianos, trabalhando produtivamente e contribuindo para sua comunidade.

Segundo recente pesquisa da Consultoria Gartner, duas das principais tendências mundiais para o trabalho refletem bem essa questão da busca por uma saúde mental que são: a redução da jornada de trabalho e o bem-estar dos colaboradores até mesmo como uma forma estratégica, ganhando mais peso nas políticas de sustentabilidade dos negócios.

Ao investirem em seus funcionários, as organizações estão investindo em si mesmas, evitando possíveis licenças de colaboradores no futuro, síndrome de burnout, estresse, ansiedade e outros agravos ocupacionais.

Segundo o Dr. Marcos Mendanha, médico do trabalho e autor do livro O que ninguém te contou sobre Burnout (Editora Mizuno), os transtornos relacionados ao estresse, como é o caso do Transtorno de Adaptação, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, entre outros, estão entre as principais causas de afastamento do trabalho. É o que mostram os dados oficiais do INSS, referentes ao ano de 2021.

Entre os transtornos mentais, os transtornos ansiosos são os que mais afastam os colaboradores do trabalho. Na sequência, vêm os transtornos relacionados ao estresse e os transtornos depressivos. 

“Em 2021, o Burnout não apareceu entre as causas mais frequentes de afastamento. Aqui vale uma importante ressalva: a OMS não considera o Burnout como um transtorno mental. Isso não significa dizer que o estresse, que pode estar relacionado ao trabalho, não possa adoecer e afastar alguém do trabalho”, explica Mendanha.

Para o especialista, os dados alertam para algo importantíssimo: o tema saúde mental é muito maior do que o tema Burnout e por isso, as instituições públicas e privadas não devem poupar esforços para cuidar da saúde mental de seus colaboradores, o que vai impactar direta e positivamente na lucratividade das organizações.

Segundo Mendanha, as políticas de apoio ao bem-estar do colaborador dentro das empresas, quando bem implementadas e executadas, promovem a saúde mental e  se apoiam em  5 pilares:

– Fomento de uma carga de trabalho sustentável para os colaboradores;

– Maior controle e autonomia do trabalhador sobre o trabalho;

– Políticas antiassédio e processos de melhoria contínua nas comunicações e relacionamentos dentro das organizações;

– Recompensa satisfatória pelo trabalho exercido;

– Sentimento de justiça nos tratamentos dados aos colaboradores como um todo.

Sobre Marcos Mendanha

É médico, diretor e professor da Faculdade CENBRAP, onde realiza e coordena estudos, cursos e eventos sobre Psiquiatria e saúde mental do trabalhador há mais de 10 anos. É especialista em Medicina do Trabalho e também em Medicina Legal e Perícia Médica.

É advogado especialista em Direito do Trabalho; pós-graduado em Filosofia; e professor convidado da pós-graduação em Medicina do Trabalho, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP).

É autor dos livros “O que ninguém de contou sobre Burnout – Aspectos práticos e polêmicos” (Editora Mizuno), “Medicina do Trabalho e Perícias Médicas – Aspectos práticos e polêmicos” (Editora LTr), e “Limbo Previdenciário Trabalhista – Causas, consequências e soluções à luz da jurisprudência comentada” (Editora Mizuno); e coautor de várias obras. É coordenador do Congresso Brasileiro de Psiquiatria Ocupacional (CBPO) e do Congresso Brasileiro de Medicina do Trabalho e Perícias Médicas (CBMTPM).