Você já ouviu falar na escritora Júlia Lopes de Almeida? Se ainda não a conhece, essa é a sua oportunidade: está sendo lançado um box com três obras inéditas não apenas da autora mas também de Filinto de Almeida, com quem ela formou o casal mais influente da literatura brasileira no início do século 20.

Júlia Lopes de Almeida e Filinto de Almeida – também conhecidos como o casal #Julinto – precursores da shippação – foram alguns dos idealizadores e fundadores da Academia Brasileira de Letras. Populares entre a “nata” da literatura da época, receberam na bela casa onde moravam, no bairro de Santa Teresa (Rio de Janeiro), alguns dos nomes mais importantes da literatura brasileira. Os saraus que organizavam eram frequentados por autores como Aluízio Azevedo, Machado de Assis, Olavo Bilac, Valentim Magalhães, Artur Azevedo, Lúcio de Mendonça e outros notáveis que foram os primeiros membros da ABL.

O Box Julinto é uma coleção de três obras inéditas do casal Júlia Lopes de Almeida e Filinto de Almeida, em uma edição com tiragem limitada. O lançamento marca os 160 anos de nascimento de Júlia e inclui três obras fundamentais do casal: o livro de contos “Ânsia Eterna”, de Júlia Lopes de Almeida, o romance de suspense “A Casa Verde”, do casal Julinto, e a homenagem “Dona Júlia”, livro que reúne os poemas que Filinto escreveu para a sua musa durante os quase 50 anos em que estiveram juntos, e publicou em tiragem limitada apenas para amigos.

Júlia Lopes de Almeida é a “autora do momento”, não somente por conta de seus 160 anos celebrados em 2022, mas também por seu papel de vanguarda como mulher em uma profissão dominada por homens. “Ela defendia o empoderamento feminino, mas também equilibrava, de certo modo, seus deveres junto à família e sociedade. Seus posicionamentos eram modernos para a época, por isso suas obras têm muita sintonia com os dias atuais”, explica Tomaz Adour, editor-chefe e fundador da Editora Vermelho Marinho.   

“Júlia estava à frente de seu tempo. Quem descobre Júlia hoje sente estar lendo uma autora contemporânea. E os leitores irão descobrir, nesta edição comemorativa, porque Filinto era um talento à altura da maior escritora da literatura brasileira, considerada por seus contemporâneos a “Machado de Assis de saias”, acrescenta o editor.

Para Adour, o box que marca os 160 anos do nascimento de Júlia também visa reparar um erro histórico. Apesar de idealizadora da Academia Brasileira de Letras, a autora não recebeu uma cadeira na casa, injustamente, porque a Academia seguia o modelo francês, onde só entravam homens.

“Filinto brincava que Júlia merecia a cadeira dele. Isto é fruto da grande admiração que o casal nutria, e foi interpretado como se Filinto tivesse recebido um ‘prêmio de consolação’, ocupando a cadeira que pertenceria à mulher. Nada mais injusto, pois o casal foi o mais importante e talentoso da literatura brasileira no início do século 20. Teriam completado bodas de ouro se Júlia não tivesse morrido”, avalia o editor.

Enquanto Júlia se dividia em cuidar da casa, dos filhos e escrever, Filinto viajava e trabalhava como jornalista nos principais jornais do País, o que não lhe permitia ter uma obra extensa como a da mulher. “Mas qualidade não se mede pela quantidade, ele foi um autor tão talentoso e relevante quanto a Júlia”, ressalta Adour.

Campeã de vendas no Brasil

Junto com Coelho Neto, Júlia foi a autora mais vendida do Brasil até seu falecimento, em 1934, por malária, voltando de uma viagem à África. Sua extensa obra, de mais de 40 volumes, vendeu milhões de exemplares no começo do século 20, sendo adotada por escolas e comprada por leitores “ávidos” pela sua próxima novidade.

Júlia era admirada e citada por algumas das principais escritoras brasileiras que lhe seguiram, como Cecília Meirelles e Rachel de Queiroz – que foi a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras. Júlia teve uma vida intensa, coroada pelo sucesso em livros de contos, romances, livros infantis, sobre flores, sobre comportamento, além de peças de teatro e crônicas, sendo também abolicionista, feminista e uma mãe dedicada.

Filinto de Almeida nasceu no Porto, em Portugal, e foi um dos mais importantes jornalistas brasileiros, além de um grande poeta e dramaturgo. Trabalhou em alguns dos principais órgãos da imprensa da época e foi o diretor mais importante do Jornal Província de São Paulo, que depois tornou-se o Estadão. Foi naturalizado brasileiro pelas leis da época, o que lhe permitiu ser o primeiro membro da ABL não nascido no Brasil.

“Descobrir Júlia é voltar no tempo, para uma época em que o mundo dominado pelos homens teve que se ajoelhar ao talento da mulher mais importante da literatura brasileira. Ela era uma pessoa combativa, mas ao mesmo tempo doce e amorosa, que estava anos à frente do seu tempo, e que era respeitada por todos os seus pares, como podemos ver em fotos onde todos os grandes autores da época cercam Júlia com respeito e admiração”, afirma o fundador da Vermelho Marinho.

A autora estava à frente de seu tempo. Quem descobre Júlia hoje sente estar lendo uma autora contemporânea. O livro conta com mais de 300 notas explicativas.

Crowdfunding

O box comemorativo com as 3 obras também pode ser adquirido em uma edição de colecionador através do financiamento coletivo no site : https://www.catarse.me/porjulia?fbclid=PAAaaraq0gXRHG3Z4d0hVwpFZICMs1wqkVLaASdGRDy6FAv16lDxz_Jmy32os . E será disponibilizado em outubro.

“O crowdfunding é uma forma de financiar o lançamento de outras obras importantes da literatura. Se for atingida a meta de R$ 48 mil, os colaboradores do crowdfunding receberão ainda um livreto com contos e crônicas inéditas de Júlia”, revela Adour.

A coleção tem apresentação da professora/doutora Anna Faedrich, uma das maiores pesquisadoras da obra de Júlia e da literatura de autoria feminina brasileira. “Ânsia Eterna” tem prefácio da historiadora e professora Gabriela Trevisan, autora de “A Escrita Feminista em Júlia Lopes de Almeida”, “Dona Júlia” tem prefácio do neto da autora, Cláudio Lopes de Almeida, e “A Casa Verde” tem apresentação conjunta da graduanda em letras Nathalia Kimberly e Anna Faedrich, além da crônica “Um Lar de Artistas”, escrita por João do Rio depois de uma visita ao casal na famosa casa de Santa Teresa.