Tatiana Leskova

O  Theatro Municipal do Rio de Janeiro presta homenagem à  dama do ballet que, neste 6 de dezembro, completa um século de vida.

Conhecida como Dona Tânia, já que na Rússia Tânia é um diminutivo carinhoso para quem tem o nome de Tatiana, mestra de várias gerações da dança brasileira e mundial, não é possível falar sobre a dança no Brasil e não citar o seu nome . Muito exigente, a lendária bailarina e coreógrafa foi importante na carreira de inúmeros profissionais como Aldo Lotufo, Berta Rosanova, Nora Esteves, entre muitos outros. Leskova chegou ao Brasil em 1944, mas foi a partir de 1950 que iniciou os trabalhos no Theatro Municipal.

“Dona Tânia é uma referência para a arte mundial e conhecê-la é uma grande honra. Essa homenagem feita pelo Theatro enaltece não só a pessoa Tatiana, mas todo seu trabalho em prol da instituição e do ballet. A ela todas as homenagens e aplausos” – celebra a Presidente da Fundação Teatro Municipal, Clara Paulino.

Nesta quinta-feira, dia 8 de dezembro, acontecerá uma homenagem pelos 100 anos de seu aniversário, com direito a uma surpresa dos solistas do Corpo de Baile do TMRJ e da direção do balé da casa, no tradicional Salão Assyrio.

A grande dama do ballet iniciou os estudos aos 10 anos e aos 14 iniciou a carreira profissional como estagiária no Opéra Comique de Paris. Aos 17 anos, passou a integrar o Original Ballet Russo, uma das principais companhias de dança do mundo, chegando em Londres às vésperas da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Entre 1939 e 1944, permaneceu na Companhia, atuando como uma das principais estrelas em turnês na Austrália, Estados Unidos e América do Sul.

Em 1942, ainda como uma jovem bailarina em turnê internacional, conheceu o Brasil pela primeira vez. Dois anos depois, após turnê pela América do Sul, se estabeleceu no país.

Entre 1948 e 1949, a bailarina fundou o que viria a ser a tradicional Academia de Ballet Tatiana Leskova — que funcionou como importante casa de formação de dança até 2002, quando a coreógrafa completou 80 anos.

Ainda em 1950, Leskova se tornou diretora do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Dois anos depois, a bailarina se tornou cidadã brasileira. A relação com o Theatro Municipal se encerrou definitivamente apenas em 1990, após diversas passagens marcantes pela instituição.

Coreografou grandes produções, como a ópera Izaht (1952) e o balé Descobrimento do Brasil (1960, juntamente com Eugenia Feodorova e depois em 1961, 1970, 1971, 1974 e 1987), de Villa-Lobos; o balé O Espantalho(1954), de Francisco Mignone; a ópera O Galo de Ouro, versão de M. Fokine, em 1963; a primeira apresentação completa de Giselle, em 1951, com a própria Tatiana protagonizando o espetáculo, e suas diversas remontagens no Municipal. Os mais recentes trabalhos no TMRJ foram: Sagração da Primavera (2013) e Les Sylphides/Raymonda/Sagração da Primavera (2015).