Rio Parada Funk (2023). Foto: Hector Santos.

O evento acontecerá no dia 12/09, das 9h às 19h, na Casa Firjan, com capacidade para 200 pessoas. O Seminário irá reunir gestores públicos e culturais, produtores independentes, pesquisadores, trabalhadores da arte e da cultura, artistas e pessoas interessadas em temas como gestão cultural, território, diversidade e o futuro da cultura na era da digitalização. Inscrições podem ser feitas em seminarioculturaearte.com.br.

.O 1° Seminário de Cultura e Arte, uma realização da Firjan SESI e do Programa Nacional de Fomento do Departamento Nacional do SESI, vai inaugurar, no dia 12/09, uma agenda anual de encontros e debates. O encontro vai reunir, na Casa Firjan, diversos agentes de cultura com forte atuação na cidade do Rio de Janeiro e no estado do Rio de Janeiro. As inscrições, que são gratuitas, estão abertas até ser atingida a lotação do espaço de 200 pessoas.

“A cada ano, o Seminário abordará um tema pertinente à atuação da Firjan SESI nestes campos, marcando nosso compromisso com a valorização da arte e da cultura brasileira, a defesa da diversidade e das pluralidades culturais e artísticas, e reforçando nosso apoio ao desenvolvimento da indústria criativa”, explica Antenor Oliveira, gerente de Cultura e Arte da Firjan SESI.

Entre as pesquisas que fundamentaram o evento está “O futuro da cultura e da indústria audiovisual na era digital”, lançada pela Firjan em junho de 2025, durante o Rio2C. Este levantamento, realizado com base em dados de fontes públicas e privadas – a própria Firjan, Ancine, Ministério da Cultura, JLeiva, Datafolha e Fundação Itaú, entre outras – destaca as transformações no cenário da indústria criativa brasileira. E qual o futuro da cultura na era da digitalização?

O levantamento revela que a indústria audiovisual segue se destacando por seu impacto econômico e por seu potencial de atravessar as barreiras geográficas, haja visto as recentes conquistas de prêmios internacionais pelo cinema nacional. Em 2022, o audiovisual gerou 86 mil empregos diretos. Em 2019, movimentou R$ 55,8 bilhões no PIB. Em 2024, o público das salas de cinema no Brasil foi de 125 milhões de pessoas, o que representou um aumento de 217% em relação a 2020 e de 9,8% em relação a 2023.

Eventos ao ar livre também tiveram expressiva presença dos brasileiros, bem como os shows musicais. Já as atividades on-line estão bastante populares entre os brasileiros, com o consumo de música, filmes e série em plataformas digitais e de streaming. Com o avanço das plataformas digitais, a experiência do usuário tornou-se um fator decisivo na atração e fidelização do público, bem como a valorização de conteúdos que reflitam sobre diversidade e inclusão.

“A cultura brasileira, fortalecida pelo digital e impulsionada pela diversidade, segue como território de encontro, identidade e transformação social. O cenário atual sinaliza que o futuro não será apenas digital ou presencial – será criativo, híbrido e plural. Cabe aos gestores culturais e agentes públicos compreender que a verdadeira transformação não está em substituir o antigo pelo novo, mas em integrar ambos de forma inovadora. Nesse caminho, as políticas públicas desempenham papel estratégico ao garantir acesso, fomentar inovação e proteger a riqueza simbólica do país”, comenta Joana Siqueira, consultora em Estudos e Pesquisas da Firjan, que irá participar das mesas “O papel das pesquisas e estudos na formulação de caminhos para a Gestão Cultural” e “O futuro da cultura e da indústria audiovisual na era digital”.

“O evento visa promover o diálogo entre experiências de gestão cultural territorializada, os impactos da transformação digital no consumo e produção cultural, e os desafios contemporâneos da formulação de estratégias e políticas interinstitucionais em resposta às políticas públicas culturais”, completa Antenor Oliveira.

As pesquisas “Gestão Cultural, Território e Diversidade no Rio de Janeiro” (da Unirio, Observatório de Favelas e Firjan SESI) e “Pacto pela Cultura” (da UFF e Firjan SESI), ambas inéditas, dão nomes a duas outras mesas temáticas que compõem o evento. Além de Antenor e de Joana, os outros palestrantes do evento serão: Lia Baron (RJ), Manoel Silvestre Friques (RJ), Rebeca Brandão (RJ), Ivana Bentes (RJ), Pedro Tourinho (BA), Júlia Zardo (RJ), Geórgia Nicolau (SP), Fernando Mencarelli (MG), Luciana Adão (RJ), Cinthia Mendonça (RJ), Claudina Olivêira (RJ), Almir Gonçalves (RJ) e Mateus Gullar (RJ).

O público ainda poderá ver apresentação do Jongo Quilombo São José, localizado no município de Valença, que tem origem na chegada de negros escravizados à antiga fazenda em 1850. Desde então, a história do quilombo é marcada pela resistência ao preconceito racial, à intolerância religiosa e pela luta contínua pelo direito à terra após a abolição da escravidão.

Por fim, a Casa de Artesanato Mbya Mirim ACIGUA, iniciativa da Tekoa Itaxi Mirim, aldeia Guarani Mbya localizada na Terra Indígena Paraty-Mirim, no RJ, irá expor sua produção e comercializará artesanatos e etnojoias. A partir da Casa de Artesanato Mbya Itaxi, o projeto fortalece as cadeias produtivas tradicionais, valoriza saberes ancestrais e contribui para a autonomia socioeconômica das famílias, conectando a arte indígena ao público visitante e à sociedade.

Casa de Artesanatos de Paraty. Foto: Divulgação.

Território e Diversidade no Rio de Janeiro

O público ainda poderá conhecer organizações culturais espalhadas pelo estado que foram analisadas pela pesquisa “Gestão Cultural, Território e Diversidade no Rio de Janeiro”, que mapeou realizações de grande contribuição cultural. Foram entrevistados gestores das organizações em sete municípios fluminenses, localizados na região metropolitana, Vale do Paraíba, Norte Fluminense, Centro-Sul e Costa Verde.

São elas: Balaio Cultural, que atua em Guadalupe e Guaratiba, na capital; EncontArte, de Nova Iguaçu; Casa de Artesanatos Mbya Mirim, de Paraty; Silo – Arte e Latitude Rural, da Serra do Alambari; Coletivo Ponte Cultural, que atua em Itaboraí, São Gonçalo e região; Franproduz!, de Campos dos Goytacazes; Quilombo São José da Serra, de Valença; e Rio Parada Funk!, do Rio de Janeiro.