Leandro Ferrari

São Paulo, maior capital econômica do Brasil, consolidou-se como um dos principais polos da economia criativa digital, atraindo talento, investimento e modelos de negócio inovadores. A cidade abriga uma concentração de empresas, startups, criadores e hubs que atuam em publicidade, design, audiovisual, games e economia de criadores, posicionando‑a como referência não apenas nacional, mas também regional em inovação digital. Dados oficiais da Agência São Paulo mostram que o programa Creative SP, iniciativa de apoio à internacionalização de empresas criativas paulistanas, gerou cerca de R$ 725 milhões em potencial de negócios internacionais em 2024, evidenciando a força econômica e exportadora da capital no setor criativo.

Nesse contexto de crescimento, Leandro Ferrari, estrategista digital e cofundador do Grupo XFlow, destaca a relevância de São Paulo como ambiente propício para a transformação da criatividade em negócio estruturado. Ferrari é responsável por centenas de projetos de lançamentos digitais com mais de R$ 96 milhões em faturamento acumulado, e tem acompanhado de perto a evolução do ecossistema paulistano. Para ele, “São Paulo reúne capital intelectual, infraestrutura tecnológica e uma cultura de execução muito forte. Isso acelera a transformação da criatividade em negócio e coloca a cidade em vantagem competitiva.”

A economia criativa paulistana também se revela nos números de emprego e de atividade formal. Estudos sobre o setor no entorno metropolitano apontam que as atividades criativas, especialmente ligadas a serviços de tecnologia da informação e cultura, cresceram expressivamente entre 2008 e 2019, tanto em número de empresas quanto em empregos formais, superando a taxa de crescimento de empregos totais em outros setores.

Esses dados reforçam a ideia de que o dinamismo econômico de São Paulo se dá não apenas pela quantidade de participação, mas pela intensidade do crescimento na economia digital.

A cidade ampliou sua relevância em diversos segmentos. No ramo audiovisual, estúdios e produtoras com sede em São Paulo estruturaram cadeias completas de produção e distribuição de conteúdo, atendendo a mercados nacionais e estrangeiros. No setor de publicidade e comunicação, a metrópole concentra grande parte das operações que combinam criatividade e performance, impulsionadas por tecnologia, coleta de dados e ferramentas analíticas. Estúdios independentes de games e comunidades de desenvolvedores também encontram em São Paulo uma base sólida para criação e expansão.

A chamada creator economy, composta por influenciadores, educadores e especialistas que transformam audiência em produto, também se fortalece a partir da capital. Nesse modelo, criadores paulistanos vêm construindo operações completas, com produtos digitais, recorrência e estratégias de monetização que vão além das redes sociais e se conectam a plataformas de cursos, comunidades e funis de lançamento.

Segundo Leandro parte do sucesso da cidade está na sua capacidade de conectar talentos a oportunidades reais de monetização digital, seja por meio de acesso a tráfego pago, ferramentas de automação ou parcerias estratégicas. Ele observa que “São Paulo funciona como um termômetro do mercado. O que valida na “capital” tende a escalar para outros contextos com mais segurança.”

Outro fator que potencializa o protagonismo paulistano é o comportamento do próprio público local, altamente conectado e aberto a novas linguagens e formatos. Esse dinamismo reforça a experimentação e a adoção precoce de tendências, criando um ciclo virtuoso que beneficia profissionais, empresas e marcas.

A consolidação de São Paulo como polo da economia criativa digital não é um fenômeno isolado, mas parte de uma construção contínua que combina densidade urbana, inovação, cultura e profissionalização do mercado. Essa integração cria um ambiente favorável para que a capital amplie ainda mais sua influência nos próximos anos, consolidando‑se como um dos principais centros de criação, inovação e exportação de modelos digitais na América Latina e além.