Por Denise Joaquim Marques

Falar com clareza deveria ser algo simples, mas raramente é assim. Entre o que sentimos, pensamos e verbalizamos existe um percurso cheio de desvios construídos pelas experiências que deixaram marcas profundas. Muitas delas alimentam o medo do julgamento, a insegurança diante da rejeição, a hesitação em revelar aquilo que realmente nos move. Nesse caminho tortuoso, desperdiçamos gentilezas, sabotamos resultados e deixamos afetos pelo meio do trajeto porque a mensagem enviada não encontra a mensagem que gostaríamos de entregar. 

Clareza não é apenas sobre escolher bem as palavras. É sobre alinhar intenções, emoções e expressão para que o outro perceba exatamente o que queremos comunicar. Quantas vezes, diante de um filho, a intenção real seria dizer que o amamos tanto que certos comportamentos nos entristecem ou nos preocupam, mas acaba saindo uma bronca que não traduz o sentimento. E quantas vezes, ao nos interessarmos por alguém, fazemos um gesto carinhoso e logo o enfraquecemos dizendo que não é nada demais, por temer a interpretação. Criamos ruídos porque não sustentamos a verdade do que sentimos e, na tentativa de nos protegermos, produzimos exatamente o efeito contrário. 

O que realmente transforma uma conversa é fazer o outro compreender a importância que ele tem, tanto dentro do que estamos dizendo como para nós. Esse é o ponto de virada. Não se trata de discursos elaborados, mas de clareza emocional. A coragem de assumir sentimentos, de sustentar o que se deseja, de permitir que a intenção chegue sem filtros que a esvaziem,  dependem da clareza do nosso discurso interno. Quando há alinhamento entre pensar, sentir e dizer, a comunicação deixa de ser tentativa e passa a ser encontro. 

Existe também um aspecto pouco discutido na clareza, que seria o quanto ela exige presença real. Não falamos com nitidez quando estamos dispersos, reativos ou presos em diálogos internos que competem com a conversa. Muitas interações fracassam não por falta de vocabulário, mas por falta de disponibilidade emocional. Estar presente é o que nos permite ouvir sem antecipar respostas, falar sem atacar, pedir sem manipular e expressar emoções sem confundi-las com acusações. A presença sustenta aquilo que a clareza revela. 

Outro ponto essencial é que a comunicação transparente não se limita a instantes sensíveis. Ela se manifesta no cotidiano profissional, nos pequenos acordos que evitam desgastes, nas conversas aparentemente simples que moldam a convivência. Alinhar expectativas é cuidado, não dureza. Expressar limites é respeito, não frieza. Reconhecer erros é maturidade, não fraqueza. Quando a clareza se torna prática habitual, relações ficam menos tensas, equipes funcionam melhor e decisões ganham consistência. 

Se buscamos relações mais saudáveis e resultados mais sólidos, precisamos abandonar o hábito de falar pela metade. A clareza é um ato de generosidade com o outro e conosco. É o que cria conexão verdadeira, evita mal-entendidos e abre espaço para vínculos mais maduros e conscientes. Comunicação é sempre sobre o outro, mas começa dentro de nós. Quando esse alinhamento ocorre, o que dizemos finalmente chega ao lugar exato em que pode ser compreendido. 

* Denise Joaquim Marques é consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing, atua no desenvolvimento de líderes e de estratégias voltadas à alta performance comercial. Possui MBA em Marketing pela FIA-FEA/USP e formações executivas em renomadas universidades americanas como NYU, Columbia, Wharton e Northwestern. Com sólida carreira em multinacionais do setor MedTech, como Johnson & Johnson e LivaNova, alia sua trajetória corporativa a uma visão estratégica sobre diferenciação de mercado, inovação e criatividade nos negócios. Denise hoje orienta empresas e empreendedores por meio de consultorias, mentorias e palestras que conectam gestão, pessoas e resultados. Para mais informações, acesse: https://www.instagram.com/denise_marques_oficial/