Betina Guelmann marcou o encerramento de sua exposição “Corpo Gravado” com uma performance dirigida por Frederico Paredes, seguida de roda de conversa. O evento aconteceu no dia 17 de janeiro, sábado, no Largo das Artes, onde a artista apresentou uma seleção de 37 obras, entre objetos, videoarte, esculturas e instalações. Todas as peças são feitas de linóleo, tipo de revestimento de piso usado por ela em sua trajetória de bailarina profissional. Após a performance, a artista juntou-se à curadora da mostra, Adriana Nakamuta, e ao gestor do centro cultural, Miguel Sayad, para um bate-papo aberto ao público.

Betina Guelmann – que possui uma carreira consolidada na dança, com especializações no Brasil e no exterior – apresentou na mostra o resultado de uma pesquisa visual sobre o material que sustentou os movimentos artísticos de seu corpo ao longo de 29 anos. Manuseado, dobrado, perfurado, cortado, colado, costurado, amarrado, o linóleo ganha novos contornos, formas e significados, saindo do chão, como coadjuvante, e ganhando as paredes e o ar, como protagonista. Nas mãos da bailarina, o material firme e ao mesmo tempo flexível, materializou-se em forma de obras de arte, num jogo de tensões entre densidade e leveza, movimento e permanência, força e resistência.

Segundo Betina Guelmann, o linóleo utilizado nos trabalhos em exposição é o mesmo sobre o qual ela dançou nos últimos 15 anos. “Ele está impregnado com as marcas do tempo, tanto visíveis quanto invisíveis, físicas e simbólicas, tanto na frente como no avesso”, conta a artista. “Embora seja a primeira exposição e a primeira individual de Betina, ela tem uma importante trajetória de pesquisa do movimento que agora se consolida na arte visual. A carreira toda dela de bailarina está de certa forma materializada nessa mostra. É o corpo físico Betina e o corpo linóleo com todas essas gravações do tempo. O título da exposição, ‘Corpo gravado’, é uma referência a isso”, conclui a curadora. A mostra teve início no dia 6 de dezembro e terminou no dia 17 de janeiro.