Saúde mental no trabalho: por que desenvolver lideranças humanas ainda é um desafio no Brasil

Janeiro Branco, campanha criada em 2014 para incentivar o cuidado com a saúde mental, reforça uma discussão cada vez mais urgente no ambiente corporativo brasileiro: o papel das lideranças na construção de espaços de trabalho emocionalmente seguros, diversos e saudáveis. Em um cenário marcado por pressão por resultados, metas agressivas e desafios estruturais de diversidade e inclusão, desenvolver lideranças mais humanas ainda segue como um dos principais gargalos das organizações.
Dados de pesquisas organizacionais da Diversitera, startup brasileira especializada em pesquisas organizacionais e inteligência aplicada a pessoas, mostram que situações de microagressão e preconceito continuam fazendo parte da rotina profissional de diferentes grupos, com impactos diretos sobre a saúde mental, o engajamento e a permanência desses talentos nas empresas.
Segundo os levantamentos do pilar de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) da empresa:
24% das mulheres afirmam ter passado por situações de microagressão ou preconceito nos últimos dois anos no ambiente de trabalho.
22% das pessoas indígenas foram alvo ou testemunharam manifestações de preconceito no dia a dia profissional, sendo 66% dos casos relacionados a questões étnico-raciais, como local de nascimento, origem, práticas religiosas e características fenotípicas.
24% das pessoas LGBTQIAPN+ relataram ter sido alvo ou testemunha de preconceito no cotidiano de trabalho, com 43% dos casos ligados à orientação sexual.
Entre pessoas trans, 24% afirmaram ter sido alvo ou testemunha de preconceito, sendo 49% dos casos relacionados à identidade de gênero.
18% das pessoas com deficiência já foram alvo ou testemunharam manifestações de preconceito, com 27% dos casos associados ao capacitismo.
Já entre pessoas negras, 16% relataram ter sofrido algum tipo de preconceito dentro da empresa e 24% afirmaram ter vivenciado microagressões.
Para a Diversitera, os dados reforçam que o impacto da liderança ultrapassa a gestão operacional e atinge diretamente o bem-estar emocional das equipes. A falta de preparo para lidar com emoções, contextos sociais e diferenças pode transformar o ambiente de trabalho em um fator de risco à saúde mental.
“Quando as lideranças não estão preparadas para lidar com a complexidade das relações humanas, o ambiente corporativo pode deixar de ser um espaço de desenvolvimento e passar a gerar adoecimento, especialmente para grupos historicamente minorizados”, afirma Marcus Kerekes, CEO da Diversitera.
Como desenvolver lideranças mais humanas nas empresas
A partir de sua atuação com diagnósticos de clima organizacional, pesquisas de pulso e estudos em DEI, o executivo aponta práticas fundamentais para o desenvolvimento de lideranças mais conscientes e humanizadas:
Escuta ativa e empatia como competências estratégicas: criar espaços seguros de diálogo, onde as pessoas possam relatar dificuldades, desconfortos e experiências de exclusão sem medo de retaliação, é essencial para reduzir tensões emocionais e fortalecer a confiança nos times.
Formação contínua em diversidade e vieses inconscientes: lideranças despreparadas tendem a reproduzir comportamentos excludentes, mesmo sem intenção. Investir em educação contínua sobre diversidade, equidade e inclusão é um passo essencial para ambientes mais respeitosos e saudáveis.
Promoção da segurança psicológica: ambientes onde as pessoas sentem medo de errar, falar ou se posicionar impactam diretamente a saúde mental. Lideranças humanas estimulam o diálogo, reconhecem erros como parte do aprendizado e combatem práticas de silenciamento.
Integração da saúde mental à estratégia do negócio: o cuidado com o bem-estar emocional não deve ser restrito a ações pontuais em datas simbólicas. Para gerar impacto real, as lideranças precisam incorporar a saúde mental como parte da estratégia organizacional, com políticas claras, acompanhamento contínuo e ações consistentes ao longo do ano.
Referência de dados
Base proprietária de pesquisas com mais de 90 mil respondentes, construída entre 2022 e 2025, cobrindo 17 segmentos de mercado.
Sobre a Diversitera
A Diversitera é uma startup dedicada à promoção da equidade social e econômica em organizações de diversos perfis, transformando Diversidade e Inclusão em pilares estratégicos. Com uma equipe experiente e apaixonada por dados, a empresa oferece uma gama de serviços, incluindo censo diagnóstico de DEI, consultoria, ações de comunicação institucional e capacitação. Seu principal recurso é a Diversitrack, uma plataforma SaaS para coleta de dados que proporciona uma análise aprofundada de indicadores, identificando urgências e estabelecendo prioridades para ações mais eficazes no curto, médio e longo prazos nas organizações. Em sua nova versão, com mais atributos e facilidades, somada a uma metodologia exclusiva, a conformidade com a LGPD, e a disponibilidade em múltiplos idiomas, a Diversitrack se posiciona como a ferramenta mais completa da atualidade.






